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O descompasso do estilo de vida predominante

  • 3 de jan. de 2018
  • 2 min de leitura

Não é novidade que hoje em dia, mesmo com tanto conhecimento disponível, a maior parte das pessoas se encontra longe da felicidade genuína. Neste vídeo de Steve Cutts, somos levadas, de um jeito até chocante, a pensar sobre o que estamos fazendo e o que estamos permitindo que façam conosco.

Estamos escolhendo fazer parte disso inconscientemente, e aparentemente as coisas são assim e não podem ser mudadas. Mas será que isso é verdade? Será que estamos aqui para vivermos tão desconectados e abrir mão da nossa própria humanidade, da nossa capacidade de sentir e de viver de acordo com nossos próprios valores?

Prem Baba, no início do seu livro Propósito – A Coragem de Ser Quem Somos, descreve a nossa condição atual como humanidade:

Talvez o maior infortúnio do ser humano tenha sido, em algum momento da sua jornada, ter acreditado ser o centro da criação. Nossa inteligência nos proporcionou muitas conquistas. Conseguimos um certo domínio sobre a matéria e com isso passamos a agir como se a natureza existisse somente para nos servir. O ego, enquanto símbolo da individualidade, tomou conta da nossa experiência na Terra. Essa visão limitada nos conduziu ao esquecimento de quem somos e do que viemos fazer aqui. E hoje sofremos de uma profunda doença chamada egoísmo, que nos leva a manifestar um grau insustentável de desrespeito à natureza e aos outros seres humanos, além de uma profunda ignorância em relação ao significado da vida.

No decorrer dos séculos, temos usado nossa inteligência para reafirmar essa visão autocentrada e para provar que somos superiores a tudo e a todos. O ego, que é apenas um veículo para a experiência da alma neste plano, tornou-se o imperador máximo, e o individualismo tomou proporções brutais.

Perdemos a conexão com nossa identidade espiritual e com a própria razão de estar aqui. Deixamos de nos questionar sobre o sentido da vida, e isso aprofundou o esquecimento da nossa essência e dos valores intrínsecos a ela.

Fomos educadas para servir a um sistema que não só não estimula desenvolver autoconhecimento, como também desvaloriza a expressão de sentimentos e emoções, que considera fraca a pessoa que pede ajuda e reconhece os próprios erros, e valoriza a completa omissão das necessidades pessoais (e – por que não? – da alma) em favor de interesses financeiros.

Muitas de nós fomos levadas a acreditar por muito tempo que o coração não é um órgão inteligente e tampouco uma referência confiável para as nossas escolhas. A mente, sim, é a que faz as “coisas certas”. Felizmente, sabemos que não é assim, e que o coração é bem mais inteligente do que a mente no que diz respeito às emoções.

Os nossos valores, o sentido da vida e o bem-estar estão intimamente ligados ao nosso coração. O aumento da incidência de doenças psicoemocionais, como depressão, síndrome de pânico, crise de ansiedade, vícios e compulsões é um sinal evidente de que excluir as emoções da vida, da nossa educação e do ambiente de trabalho não funciona. Reforça a necessidade de voltarmos a olhar para as nossas emoções e sentimentos como pistas para o caminho de volta ao nosso coração.


 
 
 

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